18/10/2026
De detenta a 'tradutora': como Mary Hellen aprendeu idiomas e ajudava brasileiros presos na Tailândia
Brasileira reduziu pena pela metade na Tailândia, que prevê até pena de morte para tráfico Durante os quatro anos e meio em que ficou presa na Tailândia, a brasileira Mary Hellen Coelho Silva, moradora de Pouso Alegre (M

Brasileira reduziu pena pela metade na Tailândia, que prevê até pena de morte para tráfico
Durante os quatro anos e meio em que ficou presa na Tailândia, a brasileira Mary Hellen Coelho Silva, moradora de Pouso Alegre (MG), aprendeu inglês e tailandês, trabalhou em uma padaria dentro do sistema prisional e fez massagens para conseguir dinheiro para comprar itens básicos. Ela também passou a ajudar outros brasileiros que chegavam à prisão sem falar o idioma local.
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Os detalhes foram relatados ao g1 pela advogada Kaelly Cavoli Moreira, que acompanhou o caso desde 2022, quando Mary Hellen foi presa no aeroporto de Bangkok com 9 kg de cocaína. Ela foi condenada inicialmente a 9 anos e 6 meses de prisão e teve a pena reduzida pela metade após receber perdões reais concedidos pelas autoridades tailandesas.
“Ela aprendeu por uma questão de necessidade, até de cultura. Ela serviu de tradutora muitas vezes porque ela falava português e já entendia ali o inglês e o tailandês, e ela conseguia ajudar até outros brasileiros que chegavam sem falar o idioma”, contou a advogada.
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Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
Segundo Kaelly, Mary Hellen também orientava brasileiros recém-chegados sobre a rotina da prisão e as possibilidades de trabalho.
A brasileira chegou a dividir uma cela com aproximadamente 150 mulheres. A unidade prisional por onde passou recebia estrangeiros de diferentes nacionalidades, segundo a advogada.
Trabalho para conseguir itens básicos
Além de aprender idiomas e ajudar outros brasileiros, Mary Hellen buscou atividades remuneradas dentro do sistema prisional. Ela trabalhou em uma padaria e fez massagens para conseguir dinheiro.
De acordo com Kaelly, Mary Hellen chegou a pedir ajuda para conseguir a transferência para uma unidade maior, onde tivesse a possibilidade de exercer uma atividade remunerada.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
Com o dinheiro obtido nos trabalhos, ela comprava itens que não eram fornecidos pela unidade prisional, como produtos de higiene — pasta de dente, escova e chinelo —, além de alimentos que conseguisse consumir com mais facilidade.
"Isso não é fornecido pela unidade prisional, isso é compromisso da família na Tailândia. Só que ela não tinha família na Tailândia e a gente não conseguia fazer esse depósito, ainda que fosse um depósito muito simbólico, assim, a família não conseguia esse acesso", explicou.
Segundo a advogada, a alimentação oferecida na prisão também era diferente daquela a que Mary Hellen estava acostumada no Brasil, com pratos frequentemente apimentados.
Comportamento e perdão real
Kaelly afirma que Mary Hellen manteve comportamento considerado "excelente" durante os anos em que ficou presa. Segundo a advogada, essa avaliação contribuiu para que a brasileira fosse contemplada em sucessivas rodadas de perdão real, benefício coletivo concedido pelas autoridades tailandesas em ocasiões específicas.
"Tem níveis de comportamentos dentro da unidade prisional que podem ser bons, médios e excelentes. A Mary Hellen, em todos os anos da prisão, ela manteve um comportamento excelente, o que fez com que ela entrasse nessa rodada de perdão real todas as vezes", explicou a advogada.
De acordo com a defesa, a confissão em audiência contribuiu para a redução inicial da pena, enquanto os perdões reais concedidos posteriormente permitiram novas reduções.
A advogada ainda explicou que a concessão do benefício depende de critérios definidos pelas autoridades tailandesas e não ocorre automaticamente para todas as pessoas presas.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
Volta ao Brasil
Mary Hellen deixou a prisão na Tailândia após ser contemplada por um perdão real coletivo. Antes de retornar ao Brasil, ela passou por um centro de detenção de imigração, segundo a advogada.
Para pagar a passagem de volta, a família organizou uma arrecadação. A advogada estima que o bilhete custou cerca de R$ 6 mil. Segundo ela, a compra precisava atender a exigências específicas relacionadas à companhia aérea e à data do voo, o que dificultou a organização da viagem.
Atualmente, Mary Hellen trabalha no Brasil, segundo Kaelly.
O g1 entrou em contato com Mary Hellen para falar sobre o caso, mas ela optou por não conceder entrevista no momento.
Relembre o caso
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Mary Hellen Coelho Silva foi presa em 14 de fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, junto de outro brasileiro. Segundo as informações divulgadas na época, os dois transportavam cerca de 9 quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros 6 quilos da droga.
Natural do Rio de Janeiro, Mary Hellen foi criada em Pouso Alegre, no Sul de Minas, onde morava com a mãe e os irmãos antes de viajar para o exterior. Na época da prisão, ela tinha 21 anos e trabalhava com carteira assinada em uma churrascaria da cidade. Ela havia deixado o emprego pouco antes da viagem.
Durante o período em que esteve presa, Mary Hellen perdeu a mãe, Thelma Coelho, que morreu em 13 de abril de 2024, em Pouso Alegre, enquanto lutava contra um câncer. Na época, a defesa relatou dificuldades para comunicar a morte à brasileira, que mantinha contato com a família principalmente por cartas. Ela também perdeu o avô durante o encarceramento.
A prisão ganhou repercussão no Brasil devido à rigidez das leis tailandesas para crimes relacionados a drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, o tráfico pode ser punido com pena de morte no país.
Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a 9 anos e 6 meses de prisão, divididos em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal. A sentença foi divulgada no Brasil no dia 11 de maio.
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Publicado originalmente em G1 — MG · Sul de Minas. Ler no site da fonte →
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